Praia Formosa, Lourdes de Castro

 Formosa, uma história que retrata um tempo e um espaço, de Lourdes de Castro

Praia Formosa, Lourdes de Castro

 Formosa, uma história que retrata um tempo e um espaço, de Lourdes de Castro

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«Baixei a cabeça, os meus olhos ficaram presos ao meu vestido novo, era branco com florezinhas e pintinhas pretas. Devia ser muito pequenina quando o Avô Jacinto morreu. Depois só me lembro do auto-retrato, das fotografias todas que ele tirou. Gostava quando especialmente a Avó Laura mas mostrava, comentando: o Tio Luiz quando era pequeno, a Mãe bebé no jardim da Praia ao meu colo, aqui já crescida com amigas e amigos que vinham passar a tarde para brincar e algumas pensionistas do Colégio da Avó, que aqui passavam o Verão, como a Berta, a Irene, e a Isaura, três irmãs que tinham vindo de São Tomé.

A fazenda, a vindima, a apanha da cana-de-açúcar, o jardim. Eu acrescentava: como a palmeira cresceu! Havia um araçaleiro, muitos muitos mangueiros, um poio inteiro, um cardeal vermelho vivo e outro com as pétalas bem recortadas da flor que pendia, uma goiabeira, uma árvore que dava flores cor-de-rosa, adorava metê-las na boca, sabiam a papel de seda… Uma anoneira tão grande como uma casa, boninas à sombra no caminho até o palheiro atraindo os besouros ao fim da tarde, um ligustro ao pé do muro, mióporos para proteger do vento de sudoeste; a figueira — beberas brancas com mel no bico—perto do pombal, a alfarrobeira ao pé do portão da entrada, pitangas das pretas, um jacarandá, jasmim, gaitinhas no xadrez, que se enchiam de flores alaranjadas pelo Natal. E a canforeira! Enorme, plantada pelo Tio Luiz. Para ir ao banho descíamos pela rocha e pelo areão, desviávamo-nos das tabaibeiras, pelo caminho funcho-bravo, goivos-da-rocha, aromas brancos. Atravessávamos as bananeiras já lá em baixo e estávamos na praia, tão vasta, tão larga. Formosa porque vazia!

Em dias de levadia, ouvíamos em casa o barulho domar a arrastar pelos calhaus. Rolava-os dia e noite, anos, séculos, até que bocados de basalto ficassem assim tão lisos e macios. Um calhau é uma obra-prima! Quem não conseguiu andar descalço por cima dos calhaus, ora saltando ora equilibrando-se nos calhaus maiores. Hoje, como um quarto atravancado de móveis, a Praia Formosa encheu-se de imóveis.»

CT000307

Ficha informativa

Medidas
24,1 x 22,5 x 1,1 cm
ISBN
9789723713909
Editor
Assírio & Alvim
Autor
Lourdes de Castro
Idioma
Português
Capa
Mole
Ano
2008
Páginas
112

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